Vamos falar de cabelos e porque caem os nossos cabelos

 In Rigorosos a cuidar

 

Como vemos os nossos cabelos e porque nos assustamos quando caem?

Socialmente a aparência física tem vindo a ganhar uma importância social muito relevante. O bom estado e a boa saúde capilar são elementos chave neste contexto.

Os cabelos revelam muito sobre o nosso bem estar físico (se são abundantes, se crescem a bom ritmo, se têm elasticidade, textura, brilho), revelando e mostrando o que se passa no interior do organismo.

Já o cuidado estético do cabelo revela muito sobre a nossa personalidade, saúde mental, e é quase uma assinatura social do indivíduo. É, portanto, natural darmos tanta importância ao cabelo.

E quando o cabelo cai, todos estes aspetos se colocam rapidamente em causa. Torna-se imperativo travar, reduzir os danos e reverter o processo.

 

Como é que o farmacêutico pode ajudar?

Convém perceber as causas!

As causas podem ser de carácter hormonal: quer por serem próprios do indivíduo, quer por estarem relacionadas com a idade, como, por exemplo a menopausa, quer com fatores modificadores do ambiente hormonal interno, como é o caso da gravidez, quer farmacológicas (é importante que o seu farmacêutico saiba que medicamentos toma) mas também pode resultar de stress físico ou psicológico, ser uma resposta a traumas, ou ser o resultado de restrições ou insuficiências nutricionais.

 

Todos padecemos do mesmo mal? É inevitável que nos venha a acontecer?

Sim e não.

Em definitivo os homens são um alvo fácil da calvície, queda ou raleadura do cabelo dado que possuem muito maior taxa circulante de testosterona. Esta é a hormona masculina responsável pelo aspeto masculino e, portanto, os homens produzem esta hormona em grandes quantidades, para o bem e para o mal. No caso dos cabelos geralmente não corre bem para o elemento masculino!

A hormona masculina converte-se rapidamente numa outra hormona, super-agressiva, a dihidrotestosterona, que ataca os bolbos capilares particularmente vulneráveis da parte superior da cabeça. É por isso que vemos sempre a mesma zona afetada. Os restantes bolbos capilares são resistentes à ação desta super-hormona e continuam tranquilamente a funcionar dando origem aos mais diversos penteados masculinos (veja-se o atual Presidente americano).

Há, no entanto, homens que têm menos quantidade de bolbos vulneráveis e que simultaneamente mantém bons hábitos de conservação e manutenção do cabelo.

 

E as mulheres?

Condições fisiológicas específicas podem aumentar os níveis de testosterona em relação às hormonas femininas, como acontece na gravidez, ou, ao contrário, o balanço entre estrogénio e testosterona pode desequilibrar-se por diminuição dos níveis de estrogénio, caso da menopausa. Outras situações patológicas e mesmo as mais gerais atrás referidas também podem causar queda de cabelo na mulher.

 

Como cuidar de forma fácil?

Lavar bem os cabelos e manter o couro cabeludo em bom estado é um bom primeiro passo. O champô deve ter tensioativos adaptados de forma a não agredir ambas as estruturas e ser enriquecido com elementos estimuladores e protectores do bolbo capilar e da haste capilar.

Suplementar as carências alimentares eventuais em vitaminas (B5 e B6 são importantes), aminoácidos (em particular os que compõem a estrutura proteica do cabelo, como a L-cistina), minerais que inibam a formação da temível dihidrotestosterona (zinco) ou processo inflamatório do bolbo capilar (Cobre) e melhorem o transporte de oxigénio (Ferro). Ativos que diminuam o stress oxidativo são sempre bem-vindos num suplemento para travar e prevenir a queda do cabelo.

Agir localmente com agentes vasodilatadores capazes de aumentar o fluxo sanguíneo e, desta forma, facilitar a chegada de nutrientes e oxigénio ao bolbo capilar e garantir a remoção de detritos celulares como o dióxido de carbono é o remate final e o fechar de um circuito perfeito para uma manutenção eficaz e um resultado que permita ganhar tempo ao tempo.

 

Novamente, como é que o farmacêutico pode ajudar?

O farmacêutico está consciente das diferentes conjunturas atrás expostas e pode ajudá-lo a validar os seus pontos vulneráveis. Também lhe compete fazer um rastreio visual ou apoiado por equipamento específico e ter em conta os fatores individuais e farmacológicos inerentes a si. Uma queda de cabelo pode imediatamente ser abordada pelo farmacêutico, mas é provável que o seu farmacêutico o encaminhe para especialidades médicas que podem exceder a dermatologia ou o médico de família.

Não esqueça que os seus cabelos são a ponta do icebergue do seu bem-estar e saúde interiores.

 

Dra. Paula Reis

Farmacêutica