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Março 21, 2023

Menopausa por Sónia Morais Santos

Recentemente, a Cantabria Labs convidou a Sónia Morais Santos, influenciadora e criadora de conteúdos digitais, a escrever um artigo de opinião com a sua perceção sobre a Menopausa

Recentemente, a Cantabria Labs convidou a Sónia Morais Santos, influenciadora e criadora de conteúdos digitais, a escrever um artigo de opinião com a sua perceção sobre a Menopausa. Hoje temos o gosto de o partilhar com os nossos leitores.

“Quando me convidaram para fazer um directo no Instagram sobre a menopausa, foi como se me estivessem a chamar nomes. Do outro lado da linha, ouvi a voz do meu amigo dizer: “Não estou a dizer que estás na menopausa e menos ainda a chamar-te velha… mas acho que é um bom tema, e que daria um bom conteúdo. O que achas?” Eu ri-me.

Já há algum tempo que sinto este desconforto sempre que se aborda o tema da menopausa, como se fosse – mais coisa menos coisa – uma espécie de morte anunciada, ou coisa que o valha. Uma vez, em conversa com uma amiga no refeitório do seu emprego (onde eu fui almoçar), ela abanava-se e disse, em tom mais baixo, que era a maldita menopausa. Eu, espalha-brasas do costume, perguntei em voz normal: “Ah, estás na menopausa?” Ela só faltou meter-me a mão na boca. Olhou em redor, a perscrutar com o olhar se alguém teria escutado, e fez um “shhhhhiu!” como se eu tivesse dito que ela se prostituía ou que tinha roubado dinheiro à empresa.

Para mim, a coisa tem esta explicação: a menopausa é o fim do período procriador da mulher. E, por muito que se diga que já estamos mais evoluídos do que isso, a verdade é que as mulheres ainda são muito conotadas com a sua função materna. Basta ver quando se casam. Nem uma semana depois da lua-de-mel já há quem pergunte: para quando um bebé. Eu que o diga: tive quatro e ainda hoje, à beira dos 50 anos, ainda tenho quem me pergunte se ainda vou ao quinto. Fazer o quê?

Por isso, creio que este peso social do “fim do prazo de validade” tem muito que ver com esta vontade de fazer de conta que ainda não chegámos lá, de não falar no assunto, de fingir que não é nada connosco. E, como se sabe, não há nada pior para alimentar medos e mitos do que o silêncio. É a falar que a gente se entende, e há que falar cada vez mais sobre este tema, para que as mulheres se apaziguem com o passar do tempo. Que diabo! Isso só significa que já vivemos, que continuamos cá, e que temos muito para contar.

Bom, fiz então o direto no meu Instagram com a Ana Luísa Santos, farmacêutica e diretora técnica da Cantabria Labs, e gostei mesmo de conversar com ela. Sabem aquela pessoa que transmite calma, serenidade, que explica tudo tão bem que sentimos que, afinal, aquele bicho de sete cabeças, é algo que podemos enfrentar tanto melhor quanto melhor informadas estivermos. E, por isso, é essencial procurar respostas, informações fidedignas e científicas, e não ter medo de perguntar.

Por falar em perguntas, pedi a quem me segue que deixasse as suas questões, e foram muitas. Ana Luísa respondeu a todas com aquela forma descomplicada de explicar. Sim, é verdade que o peso pode ter tendência a aumentar, mas também é verdade que essa situação pode ser evitada com uma alimentação adequada e com a prática consistente de exercício físico. E todo o exercício físico serve? Nem por isso… A ideia é não perder massa muscular e, por isso, o levantamento de pesos é o exercício mais indicado nesta fase. Não se preocupem: era preciso levantarem muito ferro para ficarem com ar de culturistas. Também o treino SIT (Sprint Interval Training) é uma boa opção (e tem a vantagem de serem só 20 minutos).

Ana Luísa respondeu também às questões dos afrontamentos, dos suores nocturnos, tão incomodativos para algumas mulheres. E explicou que, por vezes, a terapia hormonal de substituição é mesmo uma medida a tomar, inclusive nos casos severos de ansiedade e/ou depressão, que também podem atingir as mulheres nesta fase.

É que “o desequilíbrio nas hormonas sexuais, em particular no estrogénio, leva a uma descompensação nos neurotransmissores, nomeadamente serotonina e noradrenalina, o que leva a esses tais sintomas de ansiedade e depressão”.

Também falámos – claro – da tão temida perda da líbido. E não é que a tal prática de exercício com pesos estimula a produção de testosterona, o que pode fazer com que o nosso desejo sexual acorde do sono em que parecia ter entrado? Mas, mais uma vez, lá está: se o caso for grave, nada como recorrer ao médico e fazer as queixas todas. A secura vaginal pode ser um problema, e é essencial falar com o parceiro, explicar tudo sem medos, e tentarem encontrar juntos formas imaginativas de dar a volta ao assunto.

A especialista referiu também que o Estrofito (suplemento alimentar formulado com isoflavonas de soja) pode dar um excelente contributo na diminuição dos sintomas da menopausa. Que, na verdade, não acontecem bem na menopausa, mas sim na perimenopausa. Qual a diferença entre uma e outra?

A perimenopausa é o período em que as hormonas começam a destrambelhar (em linguagem muito pouco técnica, como podem constatar). E a perimenopausa pode durar muitos anos. Pode durar uma década, imaginem! É a altura em que os períodos menstruais começam a desregular: ora são muito abundantes, ora desaparecem durante uns tempos. E é também quando surgem os sintomas: insónias, aumento de peso, calores, irritação, “nevoeiro mental”, perda de memória, perda de líbido, secura vaginal, ansiedade, depressão. Dito assim, de rajada, parece a visão do inferno. Mas há quem tenha tudo de forma muito exacerbada, e há quem passe por isto como se (quase) nada fosse. Ana Luísa Santos acredita que a forma como se encara este período é também essencial para que ele seja vivido de forma melhor ou, pelo contrário, pior.

A menopausa, por outro lado, é o período que se inicia a partir de um ano de amenorreia (ausência de período). E aí, na verdade, muitos dos sintomas vividos na perimenopausa desaparecem ou atenuam-se.

Bom, de tudo o que a Ana Luísa Santos nos falou, centrei-me muito na parte nutricional (acho que esquecemos – vezes demais – que a comida é tão central na nossa vida que, se comermos de forma equilibrada podemos evitar uma série de doenças e sintomas), e no exercício e nos suplementos ou terapia hormonal, se a coisa estiver mesmo ruim. E ainda mais importante: foquei-me na boa onda. No levar as coisas com boa disposição, com naturalidade. Porque… todas nós vamos lá parar, a não ser que faleçamos antes (o que ninguém quer, verdade?). Por isso… vamos lá começar a olhar a perimenopausa e a menopausa de frente, e a falar destas coisas, e a assumir que é mais uma fase da vida. Que pode ser tão boa como as outras (ou até melhor).”

 

 

 

 

 

Por Sónia Morais Santos
Criadora de conteúdos digitais

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